10 de junho de 2014

(Spin-off) Dinamarca



            Aquela casa definia o significado da palavra “mansão”! Ficamos parados a admirando por alguns minutos, toda beleza da elite dinamarquesa esculpida em um palácio de esplendor.
- Essa coisa do teleporte... não poderia ter nos colocado dentro do local? – Ian estava impaciente.
- Achei que vampiros só pudessem entrar onde fossem convidados! – eu conversava com ele enquanto contava as janelas e fazia, baseando-me nas pilastras, uma planta mental do lugar – Além disso, não se deve aparatar dentro da residência de um bruxo. Nunca se sabe quais feitiços de defesa são usados, poderíamos acabar presos em algum vórtice espaço-temporal.
Ele deu de ombros e olhou para a porta.
- Isso de precisar ser convidado é apenas quando a casa em questão pertence a algum mortal sem nada de sobrenatural. Se essa mulher é uma bruxa não há proteção desse tipo para ela.
Armazenei essa nota em meu palácio mental e prossegui com os planos de entrada.
- Acredito que aquela ruiva tenha vindo para cá. Uma vez que sem ter o volume completo dos pergaminhos de Stoltenberg ela nunca encontraria os outros. – pelo menos assim eu esperava.
- Por que chama sua mulher de ruiva? Você também é ruivo! – bem observado.
- Eu não sou ruivo natural, isso é efeito de um feitiço recente. – não podia entrar em detalhes, nem tínhamos tempo para isso.
Dirigimo-nos à porta, estava destrancada, eu a abri. Entramos e nos vemos dentro de um salão ainda mais majestoso que a frente da casa, quase não tive tempo de apreciar todos os quadros e estátuas, era como estar dentro de um museu.
Ela veio descendo as escadas, num magnífico vestido vermelho e branco, enaltecendo seu partido político. Bela e firme em seus quarenta e quatro anos de idade, Helle Thorning-Schmidt e sua longa cabeleira dourada era a peça mais apreciável daquele salão.
- Invasão ainda é crime em nosso país, rapazes. – seus olhos azuis estavam congelados em Ian – Podem se apresentar antes que eu os mande levar. Com certeza não são membros do partido liberal, são?
Helle se preparava para um ano de eleições no Parlamento trouxa, dessa forma ataques de partidários inimigos eram esperados sempre.
A identificação entre os conselheiros e a realeza era estritamente secreta. Então, usei Tarrant como Abafiatus por sobre o vampiro, para que assim as palavras permanecessem entre Helle e eu.
- Trago fome e sede, peço por pão e vinho! – ela arregalou os olhos, incrédula, seguidamente me lançou um olhar de desconfiança malévolo.
- Que meu pão seja teu banquete, e meu vinho teu mar revolto! – senti dúvida em suas palavras, mas certamente eu estava diante da Conselheira Nórdica Dinamarquesa.
Ela já estava diante de mim, Ian já podia nos ouvir, mas me olhou com desconfiança após os segundos de silêncio. Logo ela estava ajoelhada em reverência, e nessa posição permaneceu até que eu a liberasse.
- A que devo a honra de ter um membro da realeza em minha humilde residência? – humilde era só o que a mansão não era – E tão tarde da noite? Eu já estava dormindo quando os ouvi aparatando.
- Perdoe-nos, mas é caso de urgência! – Ian já não conseguia mais se segurar, mas continuei – Vim, em nome do meu direito como descendente direto de Isla Black e Bob Hitchens, requisitar a posse dos seus pergaminhos do Selo.
- Hitchens! – era demonstrou compreensão e espanto – Alguém com esse nome me procurou há alguns dias, uma mulher ruiva. – então ela andava se apresentando com meu sobrenome, a tratante – A tal derrubou todos os meus guardas usando uma nuvem de insetos, exigindo falar comigo em particular.
- Vadia! – Ian perdera o controle – Ela veio aqui antes, só o inferno sabe onde ela deve ter se metido! – e avançou à Helle – O que ela queria? Falou dos pergaminhos para ela?
Helle se afastou e logo sua varinha estava apontada para Ian, que estancou paralisado.
- Contenha seu bichinho, milorde! – ela estava furiosa – Não gosto de matar nada, mas esse ser das trevas já morreu e não vou pensar duas vezes antes de terminar o serviço!
Interpus-me entre os dois.
- Não será necessário, visto que já o imobilizou! – eu já estava sorrindo outra vez.
- Hitchens, sabia que já havia ouvido esse nome antes mesmo daquela ruiva. – pronto, acabara o tempo da diplomacia – Você é o ex-ministro inglês e já sei muito bem para o que quer os pergaminhos do Selo.
- Ótimo! Poupa-me o trabalho de explicar! – hora de partir!
- Cometerá o maior erro de sua vida se libertar aquela mulher, e quando ele souber virá atrás de você com certeza! – era com isso que eu contava.
Sem delongas, estendi a palma da mão esquerda para ela e recitei:
- Am venit din sânge regal la gheață regale, așa că am să dezvălui semnatura mea la concilier loial! – o ardor, seguido da marca dos Hitchens, e logo a vontade dela se fora.
- Tudo bem, milorde! – e sem palavras adicionais ela convocou o volume, que rápido guardei dentro da Cartola. –
- O que a ruiva queria de você? – Helle esboçou medo.
- Não me recordo. Tivemos uma conversa, todavia o conteúdo me está enevoado na lembrança.
Se aquilo era verdade, significava que algo fora extraído, é claro. Eu já sabia aonde Eleinad queria chegar, mas como estava enterrado na mente de Helle, resolvi não pressionar.
- Perdoe-me, Helle, por precisar evocar o brasão real dos Hitchens para obrigá-la, mas não tive escolha.
- Não se preocupe, milorde, percebo que está sendo o mais gentil que pode, diante de uma situação familiar. – levei meu indicador rapidamente a minha boca, fazendo-a silenciar.
Ela percebera o porquê, é claro, estava óbvio que o vampiro não me era confiável.
Gentilmente beijei sua mão. Desfiz o feitiço contra Ian e o observei.
- Obrigado. – antes que eu pudesse fazer qualquer coisa, Ian já estava por sobre Helle, olhando-a diretamente nos olhos – Diga-me exatamente o que Eleinad Hitchens queria de você!
A bruxa expressou frieza, e respondeu calmamente:
- Seus truques de hipnose não funcionam comigo, sanguessuga! – porém não desfez o contato visual – Mas vejo perfeitamente a razão de seu desespero, ela é linda, essa sua Daniele!

Era uma boa razão para se cruzar o Atlântico e iniciar uma caçada pela Europa. Helle revelou a razão que motivava Ian nessa missão, e logo me vi questionando.
- Por que esse tal de Armand não vai ele mesmo atrás dos pergaminhos do Selo? – e havia outra coisa que estava me incomodando há horas – Aliás, como você fez para entrar na residência de Stoltenberg? Apenas bruxos das linhagens reais e conselheiros conseguiriam tal feito.
Ian permaneceu mudo por um tempo.
- Eu não sei responder a isso, só sei que quanto mais rápido reunirmos esses papeis, mais rápido poderei encontrar aquelas cachorros e partir de volta para casa com Daniele.
De posse do volume dinamarquês dos pergaminhos do Selo, e de parte dos noruegueses, partiríamos ao encontro do próximo conselheiro. Ian, porém observou o céu e falou.
- O sol vai surgir, continuamos à noite! – só porque ele queria.
- Negativo! – virei para ele – Vou em frente e depois você me encontra pelo sangue.
Ele me olhou assassino.
- Certo, mas vou guardar os papeis de Stoltenberg comigo.
E assim ele se dirigiu a um local seguro para repousar, e eu desaparatei.

Um comentário:

  1. A cada dia que passa as histórias estão ficando mais interessantes, sabe? Gostosas de ler, realmente prendendo minha atenção ^^. Ah, eu ainda sinto pena do Dimitri, apesar de finalmente ele não ter sido atacado na residencia que entrou, o que me surpreendeu. E o Anthony.. Bem, a mãe dele morreu, as filhas não parecem valer muita coisa e ainda tem um pai que vale o que pisa, eu hem! Por isso o coitado vive na defensiva, ninguém consegue ter uma conversa decente com ele, sempre utiliza do seu sacarmo, vixe. O problema dele é que ela se acha inteligente demais e esse tipo sempre se da mal ( mas tudo tem exceção, né?). Enfim, aguardarei os próximos capítulos *-*.

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