- Gostei da sua nova varinha! – o
simples som daquela voz abalava meus nervos.
- Sua irmã fez para mim! – tinha que
evitar os olhos dela para resistir.
- Ela sempre foi habilidosa com esse
tipo de coisa. – estava sorrindo, a maldita – Meia irmã, a propósito!
A relação entre Eleinad e Irene nunca
foi das melhores, mas nenhuma família realmente é perfeita. Talvez o fato de a
mãe de Elly ter deixado o pai desta para casar com o Sr. Adler tenha alguma
coisa a ver.
- Devia fazer a barba! – fingi que não ouvi.
O quarto onde Eleinad se hospedara era
muito luxuoso, típico quarto de hotel cinco estrelas. Dando uma de minhas
rápidas olhadas consegui identificar três formas de fugir dali, porém naquela
noite não era mais eu quem precisaria escapar.
- Você sabe que não sei ler mentes. –
sorte minha – Já terminou de memorizar os detalhes do quarto?
- Sua habilidade de sentir a magia ainda
continua ótima, conseguiu perceber que era outra varinha mesmo essa sendo
exatamente igual a anterior.
- Mas o cerne é diferente, achei uma
escolha muito irônica da parte dela. – logo eu desabaria.
A situação era a seguinte: Ela
permanecera sentada por todo o tempo, à mesa, com as mãos por sobre os
pergaminhos do Selo. Eu estava a cerca de dois metros de distância, varinha em
punho, esperando que ela agisse.
Logo as palavras fugiram da minha boca!
- Achei que estivesse morta! – se eu
tivesse lágrimas estaria chorando – Procurei você por toda a Europa! –
obviamente devia ter observado os outros continentes.
- Obviamente não observou todos os
continentes, Hitchens! – minha mão esquerda estava pedindo para eu azará-la,
mas o coração do velho Dimi estava batendo outra vez.
Eu não podia perder meu foco, toda minha
missão estaria em risco se eu não conseguisse recuperar aqueles papeis.
- Você contou a Irene sobre sua missão?
– havia poucas coisas que Irene Adler não sabia, para minha sorte os detalhes
sobre o Conselho Real Nórdico eram secretos demais até para ela.
- Ela acha que estou em uma missão para
limpar meu nome. – tentando desviar do assunto – Onde esteve? Por que sumiu?
Por que cargas d’água você se meteu naquele tornado sem esperar por mim?
- São muitas perguntas de uma vez, sabe
que mulher odeia perguntas! – alguns minutos diante dela e já perdi toda minha
racionalidade.
Cansei de esperar, caí em mim e resolvi
agir.
- Cistem Aperio! – as pernas da mesa se
abriram, o móvel foi ao chão.
Ela pulou para trás. Os pergaminhos jaziam
aos seus pés. Eleinad me lançou seu olhar incisivo, mas pude ver as lágrimas
lutando para sair dos olhos.
- Você mudou completamente quando se
tornou Ministro, Hitchens! Tão arrogante que não percebeu que estava colocando
sua própria vida em risco. – não mesmo.
- Ora, teoricamente eu não mudei em
nada, apenas confiei que seria mais respeitado como político do que eu era como
soldado do mal! – doce ilusão – E outra, eu só aceitei o cargo porque
facilitaria as buscas pelos itens para quebrar sua maldição, ou você já se
esqueceu? Toda minha peripécia política foi categoricamente por você!
- E por isso eu tive que deixá-lo, seu
idiota! – ela perdera as estribeiras – Já não bastava estarmos juntos às
escondidas, eu ainda tinha que viver sabendo que você carregava todo o peso dos
pecados do meu pai!
Mas eu já havia desligado minhas emoções
àquela altura.
- O que raios você quer com esses
pergaminhos? Por que se meter na MINHA história se você mesma me excluiu da
sua?
- Você sabe muito bem o porquê,
Dimizinho. – ela estava tentando manter a calma – Eu sei sobre a Helle
Thorning-Schmidt!
Eu tive que sorrir para disfarçar minha
surpresa. Aquilo mudava tudo, essa informação era secreta demais, se ela a
tinha significava que já entrara em contato com algum dos conselheiros reais.
- Quem é essa? – hora de pegar os papeis
e desaparecer.
- Não se faça de idiota, Hitchens, isso
não muda o fato de eu saber.
Antes que eu pudesse agir de qualquer
forma, um vulto negro entrou pela janela e me jogou na parede. Senti a pressão
no meu peito enquanto o vampiro me olhava nos olhos.
- Feliz em me ver? – não, na verdade.
Eleinad nos olhou incrédula, logo foi em
direção aos papeis. Ele me jogou para o outro lado rápido e avançou para cima
dela. Senti o perigo, mas tinha que agir rápido.
- Flagello! – minha varinha se tornou um
longo chicote, chicoteei o ar e a ponta do objeto acertou o punho do monstro,
fazendo-o libertá-la.
Tudo aconteceu muito rápido a partir
dali, Eleinad se desvencilhou dele, agarrou algumas folhas do pergaminho, girou
rápido e aponto sua varinha para o teto.
- Deprimo! – tantas formas de se
escapar, mas ela decidiu que abrir um buraco no teto era mais prático. –
Ascendio! – voou até o teto, pousando próximo à abertura – Accio caldeirão! – e
lá se foi seu sua joia ilegal pelo ar.
E em um movimento rápido ela se foi.
Correu para longe do quarto, ainda pude ouvir som de sua desaparatação.
O vampiro ficou parado, enquanto eu
refazia a forma original de minha varinha. Levantei-me e me preparei para lutar
pelos pergaminhos do Selo. Ele pegou os papeis que restavam e observou.
- Ela pegou duas folhas, sua namorada. –
- Que terrível para você, seja lá quem
for e o queira com os pergaminhos. –
- Sou Ian. – ele se posicionou de frente
para mim – Não o interessa para quê eu os quero, ainda mais agora que não os
tenho todos.
- Você me encontrou aqui, pode encontrá-la
também. – sondei, precisava conhecer mais sobre aquele cara.
- Eu segui o cheiro do seu sangue, não
faço ideia de como achar sua namorada. Mas vou encontrar um jeito, e quando eu
a achar vou drenar até a última gota de seu sangue.
Tarrant reapareceu, Ian o observou.
- Vocês parecem dois palhaços com essas
cartolas. – Tarrant riu, eu ainda estava calculando as possibilidades – Enfim,
já que você não morre mesmo, vou deixá-lo aqui resolvendo essa algazarra com os
mortais sem magia e vou caçar sua namorada por aí.
Pensei em algo.
- Ela provavelmente vai atrás dos outros
pergaminhos, se você não souber onde procurar jamais vai encontrá-la.
- Não preciso da sua ajuda, se é isso
que pretende, estou sabendo que posso rastrear os pergaminhos dos outros
conselheiros usando esses.
- Mas se estão incompletos não
funcionará! – logo ele cairia no meu jogo – Percebi o quão desesperado está, e
também percebi que não faz ideia de para quê servem os pergaminhos, o que quer
dizer que está fazendo isso a mando de alguém. Você não me parece o tipo de
cara que obedece a ordens, o que quer dizer que está tentando usar os papeis
como objeto de troca, ou algo assim.
Ele me olhou inexpressivo.
- Você fala demais, sabia? – é porque
sou de gêmeos – Ainda assim não preciso de você! – que vampirinho teimoso.
- Ótimo! Você deve ter todo o tempo do
mundo para encontrar os pergaminhos, já que obviamente está recusando a única
forma de conseguir encontrá-los ainda nesse século. – com essa eu o pegara.
Ele me observou, não expressava nada
além de raiva, mas com certeza travava uma batalha interna.
- Tudo bem, ex-ministro, vou deixar você
vir comigo atrás dos outros pergaminhos. Mas se sua namorada der trabalho, vou
exterminá-la.
- Não me importo nem um pouco com que
fará com ela. – encostei-me numa pilastra enquanto sorria e olhava para ele –
Só quero todos os pergaminhos reunidos antes do fim da semana.
Ele também sorriu enquanto guardava os
papeis no bolso da jaqueta.
- E outra coisa, ela não é minha
namorada, é minha esposa! -
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